Pitadas ECH

Uma lista de curiosidades super legais sobre gastronomia!

Aqui tem uma lista de curiosidades em constante crescimento. Se quiser aprofundar mais nestes assuntos, é só acompanhar as matérias do Entre Cozinhas e Histórias no blog e pela Agência Radioweb.

 

  • O bauru não surgiu no município de Bauru, em SP. Ele foi criado na cidade de São Paulo
  • Abacate na sobremesa é só no Brasil mesmo. Nos outros países, ele é comido em preparações salgadas. Causa bastante estranhamento nos estrangeiros falar na versão doce
  • Na Polônia, há receitas de doces que levam alho, cebola e chicória
  • Brasileiros já precisaram fazer uma petição para poder comer frango
  • O pão de queijo se espalhou pelo Brasil a partir da década de 1950, antes disso, só se encontrava em Minas Gerais e sua receita era secreta
  • Você já ouviu falar da Revolta da Cachaça? Foi em 1660. Portugal não permitia a fabricação e comercialização da bebida. Apenas no dia 13 de setembro de 1661 a Coroa mudou de ideia e derrubou a proibição. Ficou instituída esta data como o Dia Nacional da Cachaça
  • Dom João VI amava carne de galinha, principalmente as coxas. Há relatos de que ele comeria de duas a três aves inteiras por dia
  • Em países como Tailândia e Japão não se come feijão salgado, mas doce
  • De acordo com a ABIMAPI (Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados) 110 milhões de brasileiros usam o termo bolacha, enquanto que 99 milhões chamam de biscoito.
  • Na Tailândia você não vai encontrar facas na mesa, eles usam apenas garfo, colher e hashis, pois a comida já vem picada
  • O bolo de chocolate teria surgido em 1674, na Inglaterra. Tiveram a ideia de adicionar cacau à massa e de lá para cá é só amor
  • O Dia da Pizza surgiu em 1985, no estado de São Paulo. O então secretário de Turismo, Caio Luiz de Carvalho, promoveu um concurso para eleger as dez melhores receitas de mozzarela e margherita. O sucesso do evento fez com que a data de seu encerramento, 10 de julho, ficasse instituída como o Dia da Pizza. A data hoje também é comemorada em outros estados.
  • O chocolate considerado verdadeiro não tem leite e leva pelo menos 25% de massa de cacau. As marcas comerciais não são consideradas chocolate de verdade, segundo os especialistas (sigo amando da mesma forma)
  • A Rainha Elizabeth é chocolatra assumida e já comeu chocolate brasileiro
  • O estrogonofe verdadeiro não tem catchup nem tomate
  • A massa não foi criada pelos italianos, e sim pelo chineses
  • A cerveja foi criada pelos egípcios
  • Bolinho de aipim é um típico petisco brasileiro, o primeiro de todos!
  • A feijoada e o feijão com arroz não são originalmente brasileiros
  • A coxinha é criação brasileira
  • Batata, tomate, milho e cacau não existiam na Europa, vieram todos das Américas
  • O Falafel, bolinho frito de grão de bico típico do Oriente Médio, é ancestral do acarajé

 

A imagem original que usei para esta montagem está disponível neste link, conforme os direitos autorais.

 

Rússia, terra de deliciosas massas!

Quando se pensa em Rússia, nos vem à cabeça estrogonofe (que aliás eu já falei sobre), Ballet, Putin e, claro, Copa da Rússia 2018.

Para sair um pouco desses estereótipos, quero falar sobre as massas russas, afinal, as massas não são apenas especialidade dos italianos, até porque não foram eles os criadores, sorry.

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Coloquei esse meme só porque achei legal.

Encontrei um atelier de massas russas em São Paulo, o Nostrôvia. A responsável é a Olga Vereiski, filha de russos, que já falou aqui no ECH sobre o verdadeiro estrogonofe russo. No entanto, a especialidade dela são as massas, mais especificamente o Pelmeni de Carne (em russo: пельмени) e o Varênique de Batata (em russo: варе́ники). “A gente acha que só italiano faz massa, mas a russa é diferente da italiana”, explicou a Olga.

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Adoro uma piadinha infame!

Ela explicou que é uma massa fresca congelada. Ferve-se água com sal e se coloca ainda congelada para cozinhar. Assim que levantar novamente a fervura e subirem, está pronto. Um prato simples, gostoso e fácil de fazer, mas a Olga pondera que é facil para quem compra, pois o preparo da massa é bem trabalhoso, já que é artesanal. “Tanto o Pelmeni quanto o varênique são fechados um a um, a mão”.

Estou escrevendo esse texto com fome, pois já está perto do horário de almoço, então tá difícil.

Deem uma babadinha nesta foto:

 

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Pelmeni de carne. Foto: Nostrôvia

E mais outra nesta:

 

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Varênique de batata. Foto: Nostrôvia.

Os recheios, como dizem os nomes, são carne a batata. A culinária russa é bem variada, com muitos vegetais, como batata, beterraba, repolho e berinjela, além de carne e peixes. “A comida russa é, no geral, muito saudável e diferente dos nossos padrões, devido aos temperos. Usam muitos vegetais, o que tiver disponível, além de fazerem muitas conservas”, contou a Olga. A grande extensão do território contribui para essa diversificação. Outra característica é que é muito aromática, mas, no geral, não é apimentada. Um dos temperos mais usados é o Dill, também chamado de Endro ou Aneto.

Nesta época de Copa do Mundo muitos têm procurado o Nostrôvia para conhecer estes sabores, além dos admiradores antigos. “Conheci uma moça que viajou para a Rússia e voltou de lá viciada em pelmeni, ela sempre nos procura”.

Atualmente, o Nostrôvia é o único representante exclusivo da culinária russa em São Paulo, até há restaurantes que servem pratos russos, mas não são sua especialidade.

Não vou mentir, ainda não provei as massas do Nostrôvia (pelo menos até a data desta publicação). Entretanto, foram muitos os elogios que vi e ouvi, então é óbvio que vou experimentar.

Você pode ouvir a versão de rádio desta matéria, clique aqui! Você vai adorar!

Atualização:

O Nostrôvia gentilmente me presenteou com pelmeni e varêniques. Já provei o pelmeni e só tenho elogios. Massinha gostosa e recheio muito saboroso, realmente se sente a carne. Cozinha muito rápido e basta finalizar com manteiga e Dill (sugestão da Olga) para ter um prato delicioso e bem típico da Rússia.

Como é o verdadeiro estrogonofe russo?

Conversei com uma cozinheira filha de russos sobre a receita original.

Em época de Copa do Mundo na Rússia não poderia faltar, lógico, uma matéria sobre a culinária deste país. No entanto, ao buscar pessoas com quem eu pudesse conversar sobre o tema, me deparei com o fato de que em São Paulo, a maior cidade da América Latina, praticamente não há representantes da comida típica do maior país do mundo.

Encontrei um único lugar: o Nostrôvia. Entrevistei a Olga Vereiski, filha de russos e uma das proprietárias deste atelier culinário que preserva receitas tradicionais da terra dos czares e do ballet. Eu quis saber a tradução do nome “Nostrôvia” e Olga explicou que é o que os russos dizem ao brindar. Ela já meu deu uma aulinha de russo, contando que a pronúncia é “Nasdarôvia”, pois em muitas palavras do russo a letra “o” adquire, popularmente, o som de “a”.

Passada a mini aula, de cara perguntei sobre o prato russo que se popularizou no Brasil, o strogonoff ou, conforme a gramática brasileira, estrogonofe. Para começar, não há consenso sobre a história deste prato. Só aqui, trago três versões diferentes:

Versão 1

Versão 2

Versão 3

Eu realmente queria saber como é a receita original, afinal, duvido que colocassem catchup. Foi isso mesmo que a Olga explicou: nas receitas russas não há catchup, nem tomate.

Não haver tomate faz sentido, afinal, os tomates são nativos das Américas e foram levados à Europa pelos descobridores. Outro ponto que ela destacou é que não há uma única receita de estrogonofe na Rússia. “Falar sobre o estrogonofe russo original é difícil, porque cada região faz do seu jeito, é um país muito extenso e a receita vai de acordo com o que as pessoas tinham para preparar”, contou Olga. Quanto à mostarda, que muitos usam aqui, Olga explicou que até há algumas versões que usam este condimento.

O que tem sempre é a carne, o creme de leite (também vi que originalmente usavam creme azedo em vez do creme de leite) e os cogumelos frescos, “os cogumelos precisam ser frescos, não podem ser em conserva, pois o vinagre e outros ingredientes da conserva alteram o sabor”, destacou Olga. Normalmente é usado o champignon, ou cogumelo Paris, mas pode ser utilizado também o funghi para dar mais sabor, já que o Paris tem gosto muito suave. Se quiser, coloque conhaque e flambe, mas esta parte é opcional. 

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Para finalizar, a sugestão é salpicar Dill fresco (também chamado de Aneto ou Endro), o que, segundo Olga, dará um sabor super característico da Rússia por ser uma erva bastante utilizada por lá.

Segui os passos e fiz meu estrogonofe russo. Se ficou como o verdadeiro eu não sei, mas ficou muito bom! Ah, como não tinha conhaque, coloquei whisky Jack Daniels. Também tive que fazer sem cebola, pois vi que acabou só na hora de cozinhar, assim como ficou sem o Dill, pois não achei em nenhum supermercado. Considerando que a Olga explicou que não há uma única receita, cada um coloca o que tem, posso dizer que estava legítimo.

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Gostou? Não deixe de ouvir a versão de rádio desta reportagem, que traz umas musiquinhas bem legais da Rússia. E não perca a próxima matéria sobre os outros sabores da Rússia!

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