Nobre ou operária? Saiba a história da coxinha!

100% brasileira, enriquece discussões entre historiadores sobre sua origem e virou termo de cunho político, mas a verdade é que é difícil não gostar.

Aquele salgado em forma de gota feito de massinha frita, crocante por fora, cremosa por dentro e com um generoso recheio de frango desfiado é a nossa coxinha. Nossa sim, porque surgiu aqui! Presente em bares e botecos Brasil afora, já virou até xingamento de cunho político.

Entretanto, você já parou para pensar quem teve a ideia de fazer um salgado alusivo à coxa de galinha? Pois é isso que tentei descobrir, por isso procurei a Maria Letícia Ticle, mestre em História da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

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Segundo ela, uma das versões, e talvez a mais famosa, é que o salgado surgiu no século 19. Um dos filhos da Princesa Isabel e do Conde D’eu morava na Fazenda Morro Azul, em Limeira, interior de São Paulo. O menino tinha tamanha fixação por carne de galinha que só queria comer coxas fritas (será algo de família?).

Certa feita, não havia as benditas coxas de frango. Foi quando a cozinheira teve a fabulosa ideia de desfiar a carne de galinha que havia das sobras, envolver em uma massa de batata, deixar no formato que conhecemos e fritar! Há boatos de que o menino devorou e literalmente lambeu os beiços.

Entretanto, segundo a Maria Letícia, essa versão não é confirmada, “alguns historiadores discordam porque afirmam que a Princesa Isabel nunca teve este filho”, explicou. No entanto, a coxinha não perdeu sua nobreza. De acordo com a historiadora, a coxinha de fato teria surgido na Família Real, mas em outro contexto. “O cozinheiro de Dona Maria I teria publicado no livro Cozinheiro Moderno, ou Nova Arte de Cozinha, em 1780, uma receita de coxas de galinha empanadas e fritas”. Outro indício é de uma receita ainda mais próxima da que conhecemos publicada em 1844 no livro francês L’Art de la cuisine française au XIXème Siècle.

Ainda há outra hipótese, que eu não conhecia. Também de acordo com a Maria Letícia, a coxinha teria surgido no período de industrialização da Grande São Paulo. Era comum, nesta época,  venderem coxas assadas de galinha na porta das fábricas, um lanche prático, mas nem sempre barato, além de ser perecível. Desfiando o frango e envolvendo os pedacinhos com uma massa à base farinha de trigo e batata – moldada em forma de gota, que é pra lembrar o formato da coxa de galinha –, a carne rendia mais e era possível conservar por mais tempo, já que a massa frita protegeria a carne.

Obviamente, novamente foi um sucesso. A receita teria se popularizado e chegado aos estados vizinhos, como Rio de Janeiro e Paraná, na década de 1950. Independente de qual seja a história certa, ela é nossa e vem se reinventando. Hoje já tem coxinha de vários sabores, até doce! Sem contar as versões fitness,  veganas e até mais sofisticadas.

Mas a pergunta que você deve estar fazendo de verdade é de onde vem o termo “coxinha”. De acordo com minha amiga historiadora, não há uma origem exata, mas seria uma expressão bastante recente, “tem sido comum ouvir chamar alguém de coxinha por seu posicionamento conservador ou por padrões consumo altos. Muito antes disso, apelidar alguém de coxinha já estava relacionado a indivíduos considerados muito certinhos, arrumadinhos, preocupados em excesso”, explica.

E aí, gostou?

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Que gosto tem escargot?

Escargot, ou apenas lesma, é uma iguaria da culinária francesa. Antes de fazer cara de nojo, saiba que comi e adorei!

Você comeria uma lesma? E escargot? São a mesma coisa, mas o segundo nome já remete à imagem da sofisticação da culinária francesa. Recentemente, aqui em São Paulo, vi uma lata de no máximo 200g de escargot em conserva por R$84,00. Em restaurantes,  uma porção de seis não sairá por menos de R$50,00. É caro, é diferente e bom!

Degustei esta iguaria em 2012, quando viajei ao Marrocos. Aliás, foi uma das melhores viagens da minha vida! Fiquei alguns dias em Marrakesh, foi lá que comi,  mais precisamente em Jemaa El-Fna, uma praça cheia de barraquinhas de comidas típicas e muito frequentada por turistas e moradores.

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Minha cara de dúvida ao comer o primeiro. Foto: arquivo pessoal

Os bichinhos são comida de rua, as barraquinhas vendem um ensopado de lesmas. Não lembro o preço, mas com certeza não era algo caro. Os marroquinos adoram, e não é para menos. A lesma tem uma textura firme, que lembra carne, assim como o sabor, que tem também um toque defumado e terroso. Uma delícia super diferente. No fim você toma o caldinho, igualmente bom. Entretanto, confesso que precisei fechar os olhos para comer. O bichinho é cozido dentro da concha e na hora de comer se retira ele com um palitinho. Nessa parte fiquei com nojinho, pois precisei olhar, mas depois valeu a pena.

É importante destacar, todavia, que os caracóis servidos como alimento não são catados por aí em qualquer jardim ou canteiro. A criação deste animal se chama Helicicultura. Eles são criados especialmente para consumo humano. Os cuidados específicos de higiene e qualidade justificam o preço elevado.

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A série de cuidados específicos na criação faz com que seja um dos pratos mais caros do mundo.

O nome tem origem francesa e não é por acaso que é consumido no Marrocos: o país foi colônia francesa entre o século 19 e o início do século 20, tanto que os idiomas oficiais são Árabe e Francês. Outra curiosidade é que é considerado afrodisíaco! Diversos estudos mostram que é um dos alimentos mais antigos, basicamente era o que o homem comia por ser o que encontrava mais facilmente. Em escavações arqueológicas em cavernas na Europa foram encontradas ossadas humanas ao lado de conchas de escargots. Recomendo!

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